Resenha: De Um Tudo

Resenha: De Um Tudo

Um resumo, em excelência, sobre a Bahia e o que é ser Baiano.

O espetáculo, indicado ao Prêmio Braskem de Teatro em 5 categorias ( Espetáculo Adulto, Direção, Texto, Revelação e Categoria Especial.), inicia com um surpreende diálogo entre Denise Correia e o cantor e compositor Gerônimo: um relato objetivo e direto sobre o papel social imposto à mulher, em específico, à mulher negra. A partir daí é dada largada a um show rico em cultura e críticas diretas a nossa sociedade. 

 

Os diálogos são nobres de informação sem ser prolixos ou maçantes. Eles são capazes de educar todo seu público com muito humor e irreverência, o que torna a obra ainda mais incrível. 

Vale ressaltar a presença da baianidade forte no jeito de ser de todos personagens, onde cada um leva característica marcante de sua terra. Os personagens mais sagazes e inteligentes são negros! 

 

O Ladrão, interpretado por Alexandre Moreira, por exemplo, é o que mais carrega a visão sobre Bahia imposta midiaticamente. Tal visão é desconstruída pelos demais personagens, e a presença dele na produção mostra uma outra face da cultura bahiana, como o “pagodão”, esse, por vezes, marginalizado, assim como ele.

 

Ana Mametto, que concorre ao prêmio revelação, junto ao espetáculo, entra de maneira surpreendente evidenciando traços religiosos, e assim inicia o debate sobre os preconceitos sofridos pelas religiões de matrizes africanas e o avanço das religiões “de branco” capazes de legitimar o discurso de ódio de traficantes em comunidades que, por exemplo, expulsam mães e pais de santo de seu território em nome de “Deus”.

 

A causa LGTBQ+ também é debatida de maneira responsável e séria. Há uma quebra de todo esteriótipo, através de um personagem carregado da visão heteronormativa sobre o “ser gay”, mas ele não está ali para ser caricato, e sim para desconstruir, através de seu personagem forte e marcante a visão preconceituosa da sociedade. 

 

Apesar de toda irreverência a peça tem seu caráter político forte onde não faltam críticas ao quadro atual do Planalto. 

 

A ideia sobre baiano ser um personagem, que “não nasce, estreia” é colocada em Cheque. A Peça evidencia:  ser bahiano é ser carregado de cultura, história, inteligência, sagacidade, um pouco de malícia e bom humor, como a própria Bahia. 

 

Ficha técnica:

Direção – Fernando Guerreiro

Gênero - Comédia

Texto – Alan Miranda e Daniel Arcardes

Música - Gerônimo Santana

Direção Musical - Yacoce Simões

Elenco - Alexandre Moreira, Ana Mametto, Denise Correia, Diogo Lopes Filho, José Carlos Júnior e Gerônimo Santana.

Cenário e figurino - Euro Pires

Iluminação - Fernanda Paquelet

Coreografia: Rita Brandi

Produção Executiva – Rodrigo Almeida

Realização - Via Press Comunicação e Eventos e Paula Hazin

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