Depressão é sinônimo de cuidado.

Depressão é sinônimo de cuidado.

Depressão não é sinônimo de fraqueza. O preconceito afasta as pessoas do tratamento adequado.

Sabe aquela tristeza que você já teve em algum momento da vida que parecia que nunca iria passar? Agora imagina esse sentimento ocorrendo de maneira mais intensa e, algumas vezes, sem motivo aparente capaz de levar períodos longos, a ponto de interferir na rotina. Assim descrevo de forma breve e superficial que vem ser a depressão.

 As pessoas que sofrem desta patologia costumam sentir perda de energia; mudanças no apetite; aumento ou redução do sono; ansiedade; perda de concentração; indecisão; inquietude; sensação de que não valem nada, culpa ou desesperança e pensamentos de suicídio ou de causar danos a si mesmas. E este mar sensações negativas invadem a pessoa sem que ela perceba.

No CID-10, a depressão está classificada nos itens F32-F33 em três graus: leve, moderado ou grave. ”Um indivíduo com um episódio depressivo leve terá alguma dificuldade em continuar um trabalho simples e atividades sociais, mas sem grande prejuízo ao funcionamento global. Durante um episódio depressivo grave, é improvável que a pessoa afetada possa continuar com atividades sociais, de trabalho ou domésticas”. (OMS 2017)

Os motivos que desencadeiam a depressão são os mais variados: algum tipo de trauma, fatores genéticos, carência de vitamina B12 entre outros.

Segundo dados da Organização Pan-americana de Saúde(OPAS) e Organização Mundial da Saúde (OMS), em todo o mundo, estima-se que mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofram com esse transtorno. A depressão é a principal causa de incapacidade em todo o mundo e contribui de forma importante para a carga global de doenças.

Há quem diga erroneamente que a depressão é “doença de rico”. Mas uma doença faria distinção social?  Um estudo realizado no Rio Grande do Sul, em 2009 por Cunha, Bastos e Duca obteve como resultado a prevalência de mulheres acometidas pela depressão e a tendência de maiores ocorrências conforme o aumento da faixa etária e diminuição dos níveis de escolaridade e renda. Seu estudo ainda conclui que “Os valores de depressão encontrados foram semelhantes a outros estudos populacionais. Atenção específica deve ser destinada a mulheres e indivíduos de baixa escolaridade, que apresentaram maiores ocorrências de depressão.”

A depressão é um mal que deve ser levado a sério. Além dos estigmas sociais enfrentados pelas pessoas que sofrem dela o preconceito, desconhecimento e o descaso público com saúde mental afasta as pessoas da prevenção e cuidado essencial para que não padecem por conta desta patologia.

Compreender a depressão para além de um olhar voltado ao que a sociedade entende como “felicidade”, “bem-estar” e demais padrões do que seria a “satisfação humana”, aproxima ainda mais de uma medida eficaz de tratamento para quem está deprimido.

Não é falta de Deus, esperança, religião e tudo mais que tentam utilizar para traduzir a depressão. Ela é uma doença que deve ser tratada por profissionais, conhecida pela sociedade e levada sério por todos para que mais pessoas não tirem as suas vidas por conta deste mal.

Na busca por esclarecimento, prevenção e promoção da saúde a OPAS e OMS instruem em seu site o descrito abaixo:

“O que você deve fazer se acreditar que está deprimido.

Converse sobre os seus sentimentos com uma pessoa de confiança. A maior parte das pessoas se sente melhor depois de conversar com alguém que se preocupa consigo.

Busque ajuda especializada. Um profissional de saúde ou médico local é um bom começo.

Lembre-se que, se receber cuidados adequados, você poderá melhorar.

Continue a realizar as atividades das quais você gostava quando estava bem.

Preserve as suas relações pessoais. Continue em contato com sua família e amigos.

Faça exercício regularmente, mesmo que seja apenas uma caminhada curta.

Procure comer e dormir regularmente.

Aceite o fato de que você talvez tenha depressão e ajuste as suas expectativas. Você talvez não consiga realizar tanto quanto realizava anteriormente.

Evite ou limite o consumo de álcool e abstenha-se de drogas ilícitas, pois podem piorar a depressão.

Se tiver pensamentos suicidas, contate alguém imediatamente e peça ajuda.

Lembre-se: a depressão tem tratamento. Se você acreditar que tem depressão, busque ajuda.”

 

 

Referências:

https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5372:depressao-o-que-voce-precisa-saber&Itemid=822

https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5635:folha-informativa-depressao&Itemid=822

Cunha, R.V. et al. Prevalência de depressão e fatores associados em comunidade de baixa renda de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

 

 

 

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